Comprar na planta em Criciúma: o que muda no seu bolso até a entrega?
O preço da tabela não é o preço final: o saldo é corrigido até a chave. Quais índices aparecem nos contratos, quanto isso pesa em números e por que o prazo de entrega decide a conta.

Quem compra na planta não paga o preço da tabela: paga o preço da tabela mais a correção do saldo até a entrega. Essa correção não é letra miúda, é o item que mais muda a conta final, e ela depende de duas coisas que estão escritas no contrato: qual índice corrige o seu saldo e quantos meses faltam para a chave.
Este artigo explica o que é corrigido, quais índices aparecem nos contratos de Criciúma, quanto isso pesa em números, e por que um prédio que entrega em 2026 e outro que entrega em 2030 são decisões financeiras diferentes, mesmo com plantas parecidas. Os prazos citados são os das tabelas das construtoras em agosto de 2026.
O que exatamente é corrigido quando você compra na planta?
O saldo devedor. Ou seja: o que você ainda não pagou. A cada mês, o valor que falta é atualizado pelo índice previsto em contrato, e as parcelas seguintes são recalculadas sobre esse saldo atualizado. O que você já pagou não volta a ser corrigido.
Isso significa que a correção tem dois inimigos naturais: entrada maior e prazo menor. Quanto mais você amortiza no começo e quanto menos tempo falta para a entrega, menor é a base e menor é o tempo de incidência. É por isso que a mesma tabela pode terminar em contas bem diferentes para duas pessoas.
Quais índices aparecem nos contratos e o que cada um mede?
No mercado brasileiro, quatro nomes se repetem. Eles medem coisas diferentes, e é essa diferença que faz um contrato ficar mais caro que o outro no mesmo período:
- CUB (Custo Unitário Básico) é publicado mensalmente pelos sindicatos da construção de cada estado e mede quanto custa construir um metro quadrado por lá. É o índice mais colado à realidade da obra.
- INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) mede o custo da construção em âmbito nacional, calculado pela FGV. É o mais comum na fase de obra.
- INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) mede inflação ao consumidor, calculado pelo IBGE. Não tem relação direta com o custo de construir.
- IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), da FGV, mistura preços no atacado, no varejo e na construção. É o mais volátil dos quatro: em alguns anos ficou muito acima da inflação ao consumidor, em outros ficou negativo.
Não existe índice “bom” ou “ruim” em abstrato: existe o que aconteceu no período. O que dá para saber antes é qual índice está no seu contrato, com que periodicidade ele é aplicado, e o que acontece quando a obra atrasa. Essas três respostas mudam o custo final mais do que qualquer negociação de desconto na entrada.
Quanto isso muda numa compra real?
A conta abaixo é um exercício, não uma tabela de contrato: usa um saldo devedor de R$ 500 mil e três ritmos mensais de correção, para mostrar a ordem de grandeza. Índices reais variam mês a mês, e por isso a simulação serve para dimensionar o efeito, não para prever o resultado.
| Correção mensal | Em 12 meses | Em 24 meses | Em 48 meses |
|---|---|---|---|
| 0,4% ao mês | + R$ 24.535 | + R$ 50.274 | + R$ 105.603 |
| 0,6% ao mês | + R$ 37.212 | + R$ 77.194 | + R$ 166.305 |
| 0,8% ao mês | + R$ 50.169 | + R$ 105.373 | + R$ 232.952 |
Duas leituras saltam daí. A primeira: em prazos curtos, a correção é um detalhe. A segunda: em quatro anos de obra, ela pode somar de R$ 105 mil a R$ 233 mil sobre um saldo de meio milhão, dependendo do ritmo. É dinheiro que não aparece no anúncio e que muda a resposta para a pergunta “qual é o mais barato”.
O prazo é a variável que mais pesa
Entre os empreendimentos que eu acompanho em Criciúma, a distância entre a primeira e a última entrega é de quatro anos. Isso muda tudo na conta da correção:
| Empreendimento | Construtora | Entrega prevista | Meses até a chave |
|---|---|---|---|
| Thiene Residencial | Fontana | 30/09/2026 | 1 |
| Residencial Tremezzo | Fontana | mar/2027 | 7 |
| Vernazza Residencial | Corbetta | mai/2027 | 9 |
| Singular | Sörgen / Castanhel | jul/2027 | 11 |
| Parco Savello | Fontana | 31/05/2028 | 21 |
| Le Jardin Residence | Fontana | abr/2030 | 44 |
| Monte Leone | Fontana | 30/08/2030 | 48 |
Um apartamento que entrega em setembro de 2026 é, na prática, um imóvel pronto: a correção quase não tem tempo de agir e você para de pagar aluguel logo. Um que entrega em 2030 dá quatro anos de fluxo diluído, mas soma quatro anos de correção e quatro anos de moradia paga em outro lugar. Nenhum dos dois é melhor: são perfis diferentes de bolso e de pressa.

O que a espera custa além da correção
Três itens que quase nunca entram na planilha de quem está comparando:
- O aluguel do período. Quatro anos de espera custam quatro anos de aluguel para quem não tem imóvel próprio. Some isso ao preço do apartamento e a diferença entre entregar em 2027 e em 2030 muda de sinal.
- A oportunidade do capital. O dinheiro da entrada e das parcelas poderia estar rendendo. Isso não é motivo para não comprar, é motivo para comparar com o rendimento que você teria, e não com zero.
- ITBI e registro. São pagos na transmissão e calculados sobre o valor do imóvel. Entram no caixa do comprador, normalmente fora do financiamento.
E depois da entrega, o que acontece com o saldo?
Na entrega, o saldo restante costuma ser quitado de uma das três formas: à vista, com financiamento bancário (o chamado repasse) ou com parcelamento direto com a construtora, quando existe. A partir dali, o índice de correção normalmente muda: sai o índice de custo de obra e entra o do contrato de financiamento, com juros do banco.
É por isso que uma pergunta simples vale mais que qualquer simulação bonita: quanto vai sobrar de saldo na entrega, e como eu pretendo quitar esse saldo? Quem responde isso antes de assinar não é pego de surpresa na chave.
Na planta, o barato de hoje e o caro de amanhã moram no mesmo contrato. O que separa os dois é o saldo que sobra na entrega.
O que perguntar antes de assinar
- Qual índice corrige o saldo durante a obra, e com que periodicidade ele é aplicado.
- O que acontece se a obra atrasar: a correção continua? Existe prazo de tolerância? Qual a consequência prevista em contrato?
- Quanto sobra de saldo na entrega, no cenário da própria tabela que te apresentaram.
- O que está incluso no valor: vaga, box, depósito. No Vernazza, por exemplo, o box de garagem já vem no valor do apartamento.
- Se a planta aceita personalização e até quando. O Monte Leone tem três plantas personalizáveis e o Parco Savello permite ajustar a planta, mas isso vale enquanto a obra está em fase de aceitar mudança.

Quando eu apresento uma unidade, essas cinco respostas vão junto com a tabela. É o que transforma “o apartamento custa X” em “a compra custa X, com esse fluxo, e sobra Y na entrega”. A primeira frase vende; a segunda é a que deixa você decidir.
Prazos e valores citados são das tabelas das construtoras vigentes em agosto de 2026, em Criciúma, Santa Catarina, e podem mudar. As simulações de correção são exercícios de ordem de grandeza, com taxas hipotéticas, e não projetam índice nem substituem a leitura do contrato.


