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Comprar na planta em Criciúma: o que muda no seu bolso até a entrega?

O preço da tabela não é o preço final: o saldo é corrigido até a chave. Quais índices aparecem nos contratos, quanto isso pesa em números e por que o prazo de entrega decide a conta.

Thiago Bitencourt Thiago Bitencourt Creci/SC 40588-F

Guia de compra· 12 de agosto de 2026· 6 min de leitura

Comprar na planta em Criciúma: o que muda no seu bolso até a entrega?

Quem compra na planta não paga o preço da tabela: paga o preço da tabela mais a correção do saldo até a entrega. Essa correção não é letra miúda, é o item que mais muda a conta final, e ela depende de duas coisas que estão escritas no contrato: qual índice corrige o seu saldo e quantos meses faltam para a chave.

Este artigo explica o que é corrigido, quais índices aparecem nos contratos de Criciúma, quanto isso pesa em números, e por que um prédio que entrega em 2026 e outro que entrega em 2030 são decisões financeiras diferentes, mesmo com plantas parecidas. Os prazos citados são os das tabelas das construtoras em agosto de 2026.

O que exatamente é corrigido quando você compra na planta?

O saldo devedor. Ou seja: o que você ainda não pagou. A cada mês, o valor que falta é atualizado pelo índice previsto em contrato, e as parcelas seguintes são recalculadas sobre esse saldo atualizado. O que você já pagou não volta a ser corrigido.

Isso significa que a correção tem dois inimigos naturais: entrada maior e prazo menor. Quanto mais você amortiza no começo e quanto menos tempo falta para a entrega, menor é a base e menor é o tempo de incidência. É por isso que a mesma tabela pode terminar em contas bem diferentes para duas pessoas.

2 variáveis definem quanto a correção vai custar: o índice do contrato e o número de meses até a entrega. As duas estão escritas antes de você assinar.

Quais índices aparecem nos contratos e o que cada um mede?

No mercado brasileiro, quatro nomes se repetem. Eles medem coisas diferentes, e é essa diferença que faz um contrato ficar mais caro que o outro no mesmo período:

  • CUB (Custo Unitário Básico) é publicado mensalmente pelos sindicatos da construção de cada estado e mede quanto custa construir um metro quadrado por lá. É o índice mais colado à realidade da obra.
  • INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) mede o custo da construção em âmbito nacional, calculado pela FGV. É o mais comum na fase de obra.
  • INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) mede inflação ao consumidor, calculado pelo IBGE. Não tem relação direta com o custo de construir.
  • IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), da FGV, mistura preços no atacado, no varejo e na construção. É o mais volátil dos quatro: em alguns anos ficou muito acima da inflação ao consumidor, em outros ficou negativo.

Não existe índice “bom” ou “ruim” em abstrato: existe o que aconteceu no período. O que dá para saber antes é qual índice está no seu contrato, com que periodicidade ele é aplicado, e o que acontece quando a obra atrasa. Essas três respostas mudam o custo final mais do que qualquer negociação de desconto na entrada.

Quanto isso muda numa compra real?

A conta abaixo é um exercício, não uma tabela de contrato: usa um saldo devedor de R$ 500 mil e três ritmos mensais de correção, para mostrar a ordem de grandeza. Índices reais variam mês a mês, e por isso a simulação serve para dimensionar o efeito, não para prever o resultado.

Simulação sobre um saldo devedor de R$ 500 mil, com juros compostos mensais. Exercício de ordem de grandeza, feito em agosto de 2026: não é projeção de índice nem proposta comercial.
Correção mensalEm 12 mesesEm 24 mesesEm 48 meses
0,4% ao mês+ R$ 24.535+ R$ 50.274+ R$ 105.603
0,6% ao mês+ R$ 37.212+ R$ 77.194+ R$ 166.305
0,8% ao mês+ R$ 50.169+ R$ 105.373+ R$ 232.952

Duas leituras saltam daí. A primeira: em prazos curtos, a correção é um detalhe. A segunda: em quatro anos de obra, ela pode somar de R$ 105 mil a R$ 233 mil sobre um saldo de meio milhão, dependendo do ritmo. É dinheiro que não aparece no anúncio e que muda a resposta para a pergunta “qual é o mais barato”.

O prazo é a variável que mais pesa

Entre os empreendimentos que eu acompanho em Criciúma, a distância entre a primeira e a última entrega é de quatro anos. Isso muda tudo na conta da correção:

Prazos de entrega previstos nas tabelas das construtoras em agosto de 2026. Meses contados a partir de agosto de 2026.
EmpreendimentoConstrutoraEntrega previstaMeses até a chave
Thiene ResidencialFontana30/09/20261
Residencial TremezzoFontanamar/20277
Vernazza ResidencialCorbettamai/20279
SingularSörgen / Castanheljul/202711
Parco SavelloFontana31/05/202821
Le Jardin ResidenceFontanaabr/203044
Monte LeoneFontana30/08/203048

Um apartamento que entrega em setembro de 2026 é, na prática, um imóvel pronto: a correção quase não tem tempo de agir e você para de pagar aluguel logo. Um que entrega em 2030 dá quatro anos de fluxo diluído, mas soma quatro anos de correção e quatro anos de moradia paga em outro lugar. Nenhum dos dois é melhor: são perfis diferentes de bolso e de pressa.

Thiene Residencial
Imóvel citado Thiene Residencial Rua Monteiro Lobato, Centro · Entrega set/2026 Unidades a partir de R$ 1,07 milhão Ver imóvel

O que a espera custa além da correção

Três itens que quase nunca entram na planilha de quem está comparando:

  • O aluguel do período. Quatro anos de espera custam quatro anos de aluguel para quem não tem imóvel próprio. Some isso ao preço do apartamento e a diferença entre entregar em 2027 e em 2030 muda de sinal.
  • A oportunidade do capital. O dinheiro da entrada e das parcelas poderia estar rendendo. Isso não é motivo para não comprar, é motivo para comparar com o rendimento que você teria, e não com zero.
  • ITBI e registro. São pagos na transmissão e calculados sobre o valor do imóvel. Entram no caixa do comprador, normalmente fora do financiamento.

E depois da entrega, o que acontece com o saldo?

Na entrega, o saldo restante costuma ser quitado de uma das três formas: à vista, com financiamento bancário (o chamado repasse) ou com parcelamento direto com a construtora, quando existe. A partir dali, o índice de correção normalmente muda: sai o índice de custo de obra e entra o do contrato de financiamento, com juros do banco.

É por isso que uma pergunta simples vale mais que qualquer simulação bonita: quanto vai sobrar de saldo na entrega, e como eu pretendo quitar esse saldo? Quem responde isso antes de assinar não é pego de surpresa na chave.

Na planta, o barato de hoje e o caro de amanhã moram no mesmo contrato. O que separa os dois é o saldo que sobra na entrega.

O que perguntar antes de assinar

  1. Qual índice corrige o saldo durante a obra, e com que periodicidade ele é aplicado.
  2. O que acontece se a obra atrasar: a correção continua? Existe prazo de tolerância? Qual a consequência prevista em contrato?
  3. Quanto sobra de saldo na entrega, no cenário da própria tabela que te apresentaram.
  4. O que está incluso no valor: vaga, box, depósito. No Vernazza, por exemplo, o box de garagem já vem no valor do apartamento.
  5. Se a planta aceita personalização e até quando. O Monte Leone tem três plantas personalizáveis e o Parco Savello permite ajustar a planta, mas isso vale enquanto a obra está em fase de aceitar mudança.
Monte Leone
Imóvel citado Monte Leone Rua Hortêncio João da Silva, Centro · Entrega ago/2030 Unidades a partir de R$ 3,33 milhões Ver imóvel

Quando eu apresento uma unidade, essas cinco respostas vão junto com a tabela. É o que transforma “o apartamento custa X” em “a compra custa X, com esse fluxo, e sobra Y na entrega”. A primeira frase vende; a segunda é a que deixa você decidir.

Prazos e valores citados são das tabelas das construtoras vigentes em agosto de 2026, em Criciúma, Santa Catarina, e podem mudar. As simulações de correção são exercícios de ordem de grandeza, com taxas hipotéticas, e não projetam índice nem substituem a leitura do contrato.

Thiago Bitencourt

Autor

Thiago Bitencourt · Creci/SC 40588-F

Consultor imobiliário em Criciúma. Curadoria de apartamentos e Casas em Condomínio Fechado em Criciúma e região.

Os números deste artigo saem do material das construtoras e da minha própria conversa com elas.

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Perguntas frequentes

O que costumam me perguntar sobre este assunto.

O valor de entrada costuma ser menor e o pagamento mais diluído, mas o saldo é corrigido até a entrega e você paga moradia em outro lugar enquanto espera. Em prazos curtos a diferença é pequena; em obras de três ou quatro anos, é a correção somada ao aluguel que decide qual saiu mais barato.

Depende do contrato. Durante a obra é comum aparecerem CUB ou INCC, que medem custo de construção, e em alguns contratos INPC ou IGP-M. Depois da entrega, quando o saldo vai para financiamento bancário, passa a valer o índice e os juros daquele contrato de financiamento.

Não. Incide sobre o saldo devedor, ou seja, sobre o que você ainda não pagou. Por isso entrada maior e prazo menor reduzem bastante o efeito da correção no total pago.

Entre os empreendimentos que eu acompanho em agosto de 2026, o prazo vai de um mês, no Thiene Residencial, com entrega prevista para 30 de setembro de 2026, a quatro anos, no Monte Leone, com entrega prevista para 30 de agosto de 2030.

Enquanto a obra permitir, sim. O Monte Leone tem três plantas personalizáveis, de 232,70 m², 240,30 m² e 253,80 m², e o Parco Savello também permite ajustes. Quanto mais perto da entrega, menor a margem para mudança de projeto.

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