Thiago BitencourtConsultoria imobiliária
Notícias

Quanto de entrada preciso para comprar na planta em Criciúma?

A entrada é só a primeira das quatro partes da compra na planta. Como montar a sua conta com valores reais, e por que o saldo na entrega é o número que ninguém calcula.

Thiago Bitencourt Thiago Bitencourt Creci/SC 40588-F

Guia de compra· 7 de setembro de 2026· 6 min de leitura

Quanto de entrada preciso para comprar na planta em Criciúma?

A pergunta chega quase sempre no mesmo formato: “quanto eu preciso ter na mão para começar?”. A resposta honesta é que não existe um número fixo, porque a entrada é apenas a primeira das quatro partes que formam a compra na planta. O que existe é uma conta que dá para montar em cinco minutos, e é ela que este artigo ensina a fazer.

Todos os valores aqui saem das tabelas de agosto de 2026 dos empreendimentos que eu acompanho em Criciúma. As proporções de entrada são exemplos para dimensionar a conta: a condição real de cada empreendimento é negociada caso a caso e muda com a fase de vendas.

As quatro partes de uma compra na planta

  1. Entrada, paga na assinatura, normalmente a maior parcela isolada do começo.
  2. Parcelas mensais de obra, que vão da assinatura até a entrega e são corrigidas pelo índice do contrato.
  3. Parcelas intermediárias, também chamadas de balões: valores maiores, semestrais ou anuais, que reduzem o saldo mais rápido.
  4. Saldo na entrega, quitado à vista, com financiamento bancário ou, quando existe, com parcelamento direto da construtora.

Quem só olha a entrada costuma se assustar no terceiro item e ser surpreendido no quarto. A conta que importa não é “quanto preciso hoje”, é “quanto preciso hoje, quanto por mês, e quanto vai sobrar na chave”.

Quanto é a entrada, em números reais

A tabela abaixo aplica três proporções de entrada sobre o valor de partida de quatro empreendimentos. Não é a política de nenhum deles: é o exercício que eu faço com o cliente para ele ver a ordem de grandeza antes de sentar com a construtora.

Exercício sobre os valores de partida das tabelas de agosto de 2026, em Criciúma, Santa Catarina. As proporções são hipotéticas e servem para dimensionar, não são condição comercial.
EmpreendimentoA partir de10%20%30%
Parco SavelloR$ 990 milR$ 99.000R$ 198.000R$ 297.000
Thiene ResidencialR$ 1,07 milhãoR$ 107.000R$ 214.000R$ 321.000
Residencial TremezzoR$ 1,2 milhãoR$ 120.000R$ 240.000R$ 360.000
Vernazza ResidencialR$ 1,28 milhãoR$ 128.000R$ 256.000R$ 384.000

Uma observação que vale mais que a tabela: entrada maior não é só um esforço inicial maior, é um custo total menor. Como a correção incide sobre o saldo devedor, cada real antecipado deixa de ser corrigido pelo resto da obra.

R$ 99 mil é o que representam 10% do imóvel de entrada da minha carteira hoje, o Parco Savello, no Santa Bárbara, a partir de R$ 990 mil com 94,07 m².

E as parcelas mensais, quanto pesam?

Depende de quanto tempo falta para a chave, e é aqui que o prazo aparece de novo. Um saldo de R$ 500 mil distribuído até a entrega dá, sem contar correção:

  • em 12 meses: cerca de R$ 41.700 por mês;
  • em 24 meses: cerca de R$ 20.800 por mês;
  • em 48 meses: cerca de R$ 10.400 por mês.

É por isso que obras longas costumam ter fluxo mais leve: o mesmo saldo cabe em mais prestações. O Monte Leone, com entrega prevista para agosto de 2030, dá quatro anos de diluição; o Thiene, com entrega em 30 de setembro de 2026, praticamente não tem fase de obra pela frente, e a conta se concentra na entrada e no saldo.

Parco Savello
Imóvel citado Parco Savello Rua Duarte da Costa, Santa Bárbara · Entrega mai/2028 Unidades a partir de R$ 990 mil Ver imóvel

O saldo na entrega é a parte que ninguém calcula

Na chave, o que sobrar precisa ser quitado. As três saídas são à vista, financiamento bancário ou parcelamento com a construtora, quando existe. Para o financiamento, o banco avalia três coisas:

  • Renda comprovada, para caber a prestação dentro do limite de comprometimento que o banco aceita.
  • Avaliação do imóvel, que pode sair diferente do valor de venda e muda quanto o banco topa financiar.
  • Documentação do comprador e do empreendimento, incluindo o registro da incorporação e o habite-se.

O erro mais comum que eu vejo é assumir que “o banco financia o que faltar”. O banco financia um percentual do valor avaliado, e a diferença sai do seu bolso na hora da escritura, junto com ITBI e registro. Colocar esse número na planilha logo no começo evita a única surpresa realmente ruim desse processo.

Dois perfis, duas contas diferentes

Na prática, quase todo mundo cai em um destes dois casos, e a conta muda bastante entre eles.

Quem está saindo do aluguel

Aqui o inimigo é a sobreposição: durante a obra, você paga aluguel e parcela ao mesmo tempo. Por isso, para esse perfil, o prazo curto costuma valer mais que a parcela baixa. Um empreendimento com entrega prevista para setembro de 2026, como o Thiene, encerra a sobreposição quase imediatamente. Um com entrega em 2030 significa quatro anos pagando duas moradias, e isso precisa entrar na planilha com o mesmo peso da prestação.

Quem já tem imóvel e vai vender ou permutar

Aqui o problema é sincronizar duas pontas: a venda do imóvel atual e o fluxo do novo. Nesse caso, prazo longo vira aliado, porque dá tempo de vender sem pressa e sem aceitar o primeiro valor que aparecer. Vale checar também se o empreendimento aceita permuta: o Le Jardin aceita, enquanto Tremezzo e Parco Savello não trabalham com essa modalidade. Quando existe, a permuta muda toda a conta de entrada.

Quanto do seu orçamento o imóvel pode ocupar

Não existe regra oficial, mas existe uma prática de mercado útil: bancos costumam limitar a prestação do financiamento a algo em torno de 30% da renda comprovada. Uso esse mesmo teto como referência para o total mensal com moradia, somando parcela, condomínio e IPTU.

A razão é simples: a parcela é fixa no papel, mas condomínio e IPTU chegam junto e crescem com o tempo. Em prédios com lazer grande, como o Monte Leone, com mais de 1.200 m² de área comum, ou o Singular, que divide as áreas comuns entre apenas doze unidades, o condomínio pesa mais do que a média. É melhor descobrir isso agora, com a calculadora aberta, do que no primeiro boleto depois da mudança.

Um roteiro de cinco minutos para montar a sua conta

  1. Escreva o valor da unidade específica, não o “a partir de” do empreendimento.
  2. Defina quanto você tem hoje e quanto disso quer manter em reserva. Comprar imóvel zerando a reserva costuma cobrar caro depois.
  3. Some quanto cabe por mês no seu orçamento, com folga para a correção do saldo.
  4. Estime o saldo na entrega e teste a prestação do financiamento desse saldo na simulação do próprio banco.
  5. Adicione ITBI, registro e mudança. São custos certos e quase sempre esquecidos.

Se o resultado couber com folga, a decisão passa a ser sobre imóvel, não sobre dinheiro. Se não couber, mudar de faixa é melhor caminho do que apertar prazo: o imóvel certo na faixa errada vira problema em dois anos.

Comprar pronto exige mais entrada?

Em geral, sim, no sentido de que o esforço se concentra mais cedo: em imóvel pronto, o saldo vai para financiamento logo, e o banco financia um percentual, não o total. Comprar na planta distribui o esforço ao longo da obra, com a contrapartida da correção e do tempo de espera.

Entre os empreendimentos que eu acompanho, o Thiene é o caso mais próximo de “pronto”, com entrega prevista para 30 de setembro de 2026, e o Monte Leone o mais distante, com entrega em 30 de agosto de 2030. Entre esses dois extremos existe uma escala inteira, e a escolha depende muito mais do seu fluxo de caixa do que da planta.

Thiene Residencial
Imóvel citado Thiene Residencial Rua Monteiro Lobato, Centro · Entrega set/2026 Unidades a partir de R$ 1,07 milhão Ver imóvel

Os valores de partida citados são das tabelas das construtoras vigentes em agosto de 2026, em Criciúma, Santa Catarina. As proporções de entrada e as divisões de parcelas são exercícios de ordem de grandeza, sem correção monetária, e não representam proposta comercial. A condição real é definida com a construtora, unidade a unidade.

Thiago Bitencourt

Autor

Thiago Bitencourt · Creci/SC 40588-F

Consultor imobiliário em Criciúma. Curadoria de apartamentos e Casas em Condomínio Fechado em Criciúma e região.

Os números deste artigo saem do material das construtoras e da minha própria conversa com elas.

Falar comigo agora

Perguntas frequentes

O que costumam me perguntar sobre este assunto.

Não existe um número único: cada empreendimento tem a sua política, e ela muda com a fase de vendas e com o fluxo que você propõe. O que dá para saber antes é a ordem de grandeza: em um imóvel de R$ 1,07 milhão, 10% são R$ 107 mil e 20% são R$ 214 mil. A condição final é fechada com a construtora.

A entrada normalmente é recurso próprio. O financiamento bancário costuma entrar na entrega, sobre o saldo remanescente, e o banco financia um percentual do valor avaliado do imóvel, não o total da compra.

Na compra na planta, sim, na maioria dos casos: a correção incide sobre o saldo devedor, então cada valor antecipado deixa de ser corrigido pelo resto da obra. O limite é a sua reserva: entrada maior não pode significar ficar sem caixa.

ITBI e registro, pagos na transmissão e calculados sobre o valor do imóvel; a diferença entre o valor de venda e o que o banco aceita financiar; e depois da chave, condomínio e IPTU. Mudança e enxoval entram na conta de quem está saindo do aluguel.

É a situação que mais atrapalha compradores, e ela se evita antes: simule a prestação do financiamento do saldo logo na assinatura. Se o número não couber no orçamento previsto para dali a três anos, o caminho é ajustar a unidade ou o fluxo agora, e não descobrir isso na chave.

Continue lendo

Próximas leituras