Quanto custa morar no Centro de Criciúma em 2026?
Os cinco lançamentos do Centro lado a lado, com área privativa, entrega e valor de partida, e o que faz o metro quadrado variar quase o dobro dentro do mesmo bairro.

Em agosto de 2026, um apartamento novo no Centro de Criciúma parte de R$ 1,07 milhão e chega a R$ 3,5 milhões entre os cinco lançamentos que eu acompanho de perto. A diferença não está só no tamanho do apartamento: o valor do metro quadrado privativo vai de R$ 9.600 a R$ 18.391, quase o dobro, dentro do mesmo bairro e a poucas quadras de distância.
Este artigo mostra os cinco lado a lado, com área privativa, configuração, prazo de entrega e valor de partida, e explica o que faz um metro quadrado custar quase o dobro do outro na mesma região. Todos os valores são de tabela vigente em agosto de 2026 e aparecem sempre como “a partir de”, porque andar, posição solar e condição de pagamento mudam o preço de uma unidade para outra dentro do mesmo prédio.
Quanto custa um apartamento novo no Centro de Criciúma hoje?
São cinco lançamentos com unidades disponíveis no Centro em agosto de 2026. A tabela está em ordem de valor de partida, do menor para o maior. A última coluna é uma conta minha, não um dado de tabela: é o valor de partida dividido pela área privativa da planta de partida, só para permitir a comparação entre prédios de tamanhos diferentes.
| Empreendimento | Construtora | Área privativa | Configuração | Entrega | A partir de | R$/m² privativo |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Thiene Residencial | Fontana | 101,88 m² | 3 dormitórios, 1 suíte | set/2026 | R$ 1,07 milhão | R$ 10.503 |
| Residencial Tremezzo | Fontana | 125 m² | 3 dormitórios, 1 suíte | mar/2027 | R$ 1,2 milhão | R$ 9.600 |
| Vernazza Residencial | Corbetta | 131,76 m² | 3 suítes | mai/2027 | R$ 1,28 milhão | R$ 9.715 |
| Monte Leone | Fontana | 232,70 m² | 4 dormitórios | ago/2030 | R$ 3,33 milhões | R$ 14.310 |
| Le Jardin Residence | Fontana | 190,31 m² | 3 suítes | abr/2030 | R$ 3,5 milhões | R$ 18.391 |
Duas leituras saltam da tabela. A primeira: a faixa de entrada do Centro hoje começa perto de R$ 1 milhão, e não existe lançamento novo abaixo disso na região. A segunda: os três primeiros da lista estão numa faixa apertada de metro quadrado, entre R$ 9.600 e R$ 10.503, enquanto os dois últimos jogam em outro campeonato. Não é o mesmo produto com preço diferente, são produtos diferentes.
Por que o metro quadrado varia quase o dobro dentro do mesmo bairro?
Quando alguém me manda dois anúncios do Centro e pergunta por que um custa o dobro do outro por metro quadrado, a resposta quase nunca está no acabamento. Está em quatro coisas que ficam fora do anúncio.
1. Quantos vizinhos você tem por andar
O Le Jardin tem dois apartamentos por andar, o que significa elevador menos disputado, hall menos compartilhado e menos parede em contato com o vizinho. Isso é caro de construir: o mesmo terreno rende menos unidades. É a variável que mais empurra o metro quadrado para cima e a que menos aparece na foto.
2. Quanto de prédio é área comum
O Monte Leone tem mais de 1.200 m² de lazer, entregue mobiliado e climatizado, com salão de festas de 125 m², piscina adulto climatizada e três elevadores. O Thiene tem mais de 500 m² de área comum, também mobiliada e climatizada. Essa diferença de metragem comum é construída, decorada e mantida, e entra tanto no preço de venda quanto na taxa de condomínio depois.
3. O que a planta entrega dentro da mesma metragem
Três suítes ocupam mais área de circulação e mais banheiros do que três dormitórios com uma suíte. O Vernazza entrega três suítes em 131,76 m², com living de 31,25 m² e sacada gourmet de 10,57 m². O Tremezzo entrega três dormitórios com uma suíte em 125 m², com o living aberto para a sacada gourmet. São 6,76 m² de diferença no papel e uma diferença grande de rotina na prática, dependendo de quantas pessoas moram lá.
4. O endereço dentro do endereço
“Centro” é um recorte grande. Estar de frente para a Praça do Congresso, como o Le Jardin, na Rua Lauro Müller, é diferente de estar numa esquina de avenida, como o Tremezzo e o Vernazza na Vítor Meireles, e diferente de uma rua mais residencial como a Monteiro Lobato, onde está o Thiene. Vista permanente é o caso do Monte Leone, que fica na Rua Hortêncio João da Silva com a serra na janela. Vista que ninguém pode fechar depois é um dos poucos atributos que não se reproduz no prédio vizinho, e o preço reflete isso.
O que muda entre entregar em 2026 e entregar em 2030?
A tabela tem quatro anos de distância entre a primeira e a última entrega. O Thiene tem entrega prevista para 30 de setembro de 2026, ou seja, está praticamente pronto. O Monte Leone tem entrega prevista para 30 de agosto de 2030. Comprar num ou noutro são decisões financeiras diferentes, mesmo que o apartamento pareça parecido na planta.
Prazo curto significa menos tempo de obra pela frente, menos parcelas até a chave e menos exposição à correção do saldo devedor. Prazo longo significa o contrário, e é justamente por isso que costuma vir com valor de entrada menor e fluxo de pagamento mais diluído. Quem está pagando aluguel enquanto espera precisa somar esse aluguel à conta: quatro anos de espera custam quatro anos de aluguel.
Prazo longo também é o que permite personalizar. O Monte Leone tem três plantas personalizáveis, de 232,70 m², 240,30 m² e 253,80 m². Isso só existe enquanto a obra está em fase de aceitar mudança de projeto. Quem compra às vésperas da entrega compra o que está construído.

Quanto de área você recebe de verdade?
Este é o ponto em que mais gente se perde, e é onde eu mais vejo comparação errada. O número que aparece no anúncio nem sempre é o mesmo que aparece no contrato. Existem pelo menos três metragens diferentes no mesmo apartamento:
- Área privativa é o apartamento, incluindo paredes internas e sacada. É o número que interessa para comparar apartamentos entre si, e é o que eu uso na tabela deste artigo.
- Área comum é a fração do lazer, do hall, da garagem e da circulação que cabe àquela unidade. Aparece na escritura e no memorial.
- Área total é a soma das duas. É sempre o maior número, e por isso é o preferido de quem quer fazer o anúncio parecer maior.
O efeito prático: um apartamento anunciado com uma metragem alta pode ter menos apartamento do que outro anunciado com metragem menor, se o primeiro estiver somando a área comum e o segundo não. Antes de comparar dois anúncios, confirme que os dois números são do mesmo tipo. Quando o corretor não souber dizer qual é qual, esse já é o primeiro dado da sua análise.
Comparar área total de um com área privativa de outro é o erro mais comum de quem pesquisa sozinho. É o único erro desta lista que pode custar dezenas de milhares de reais.
O que costuma ficar de fora da conta
O valor de tabela é o começo da conta, não o fim dela. O que entra depois:
- A vaga de garagem. Nem sempre está embutida. No Vernazza, o box de garagem já vem incluído no valor do apartamento. Em outros empreendimentos a vaga pode ser negociada à parte, e vaga extra quase sempre é. Pergunte isso na primeira conversa.
- A correção do saldo devedor. Todo contrato de imóvel na planta corrige o saldo por um índice, e o índice está escrito no contrato. Duas propostas com o mesmo valor de tabela e índices diferentes não custam a mesma coisa até a entrega.
- ITBI e registro. São pagos na transmissão, calculados sobre o valor do imóvel, e entram no caixa do comprador, não no financiamento.
- A taxa de condomínio depois da chave. Prédio com 1.200 m² de lazer mobiliado e climatizado não custa o mesmo que prédio com 500 m². O valor só é fechado perto da entrega, mas a ordem de grandeza dá para estimar pelo tamanho da área comum e pelo número de unidades que dividem a conta.
E se o Centro não for o melhor lugar para você?
Nem toda rotina pede Centro. Duas alternativas que eu trabalho e que mudam a conta:
No Santa Bárbara, o Parco Savello parte de R$ 990 mil com 94,07 m², três dormitórios sendo duas suítes, entrega prevista para 31 de maio de 2028. O valor por metro quadrado fica em torno de R$ 10.523, ou seja, praticamente o mesmo do Thiene: o que muda não é o preço do metro quadrado, é o tamanho do apartamento e, com ele, o total que sai do seu bolso. É a porta de entrada mais acessível da minha carteira hoje, num bairro tranquilo, com o Parque da Prefeitura funcionando como extensão da área de lazer.
No Pio Corrêa, o Singular vai para o outro extremo: R$ 5,18 milhões, 275 m², doze apartamentos na torre inteira, dois por andar, cada prumada com elevador privativo que abre direto no hall fechado da unidade, pé-direito livre de 3,24 m. Dá cerca de R$ 18.836 por metro quadrado, na mesma faixa do Le Jardin, o que mostra que o teto do alto padrão em Criciúma hoje não é exclusividade do Centro.

Como eu comparo, na prática, antes de indicar
A ordem que eu sigo quando alguém me traz três ou quatro opções do Centro:
- Igualar a metragem. Todo mundo na área privativa, sempre. Sem isso, o resto da comparação é chute.
- Dividir o valor de partida pela área privativa. É o que separa “caro” de “grande”. Um apartamento de R$ 3,5 milhões pode ser mais barato por metro quadrado do que um de R$ 1,3 milhão, ou muito mais caro, e a conta leva dez segundos.
- Olhar o que já está incluso. Vaga, box, lazer mobiliado, climatização, gerador, espera para carro elétrico. Cada item desses é dinheiro que você não vai gastar depois.
- Colocar o prazo na conta. Entrega, fluxo de pagamento e índice de correção. Um prédio que entrega em quatro anos precisa vencer o custo desses quatro anos de espera.
- Checar a densidade. Unidades por andar e total de unidades no prédio. É o que define elevador, hall, barulho e, com o tempo, a liquidez na revenda.
Quando esses cinco passos estão prontos, normalmente sobram duas opções, não dez. É aí que a visita começa a valer a pena, porque você já não está pesquisando: está decidindo.
Os valores deste artigo são de tabela vigente em agosto de 2026, em Criciúma, Santa Catarina, e mudam com a correção dos índices previstos em cada contrato e com a fase de venda de cada empreendimento. Antes de fechar qualquer conta, confirme o valor da unidade específica, o que está incluso e a condição de pagamento vigente.


