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Quanto rende um apartamento alugado em Criciúma?

A conta invertida: quanto de aluguel cada imóvel precisaria gerar para bater 0,4%, 0,5% ou 0,6% ao mês, e o que separa a rentabilidade bruta da que chega na sua conta.

Thiago Bitencourt Thiago Bitencourt Creci/SC 40588-F

Investimento· 28 de setembro de 2026· 6 min de leitura

Quanto rende um apartamento alugado em Criciúma?

A pergunta “quanto rende um apartamento alugado” só tem resposta útil quando você inverte a conta. Em vez de perguntar quanto rende, pergunte quanto de aluguel aquele imóvel precisaria gerar para bater a rentabilidade que você quer. Aí a resposta vira aritmética, e não promessa.

Este artigo mostra essa conta invertida sobre os valores reais de quatro empreendimentos de Criciúma, explica o que separa a rentabilidade bruta da líquida, e lista o que precisa entrar na planilha antes de qualquer decisão. Valores de tabela de agosto de 2026.

A conta invertida: quanto de aluguel cada imóvel precisaria gerar

Rentabilidade mensal bruta é o aluguel dividido pelo valor do imóvel. Se você quer 0,5% ao mês, o aluguel precisa ser 0,5% do valor pago. A tabela abaixo aplica três metas sobre o valor de partida de quatro empreendimentos.

Aluguel mensal necessário para atingir cada meta de rentabilidade bruta, sobre o valor de partida das tabelas de agosto de 2026, em Criciúma, Santa Catarina. É aritmética sobre o preço, não previsão de aluguel de mercado.
EmpreendimentoValor de partida0,4% ao mês0,5% ao mês0,6% ao mês
Parco SavelloR$ 990 milR$ 3.960R$ 4.950R$ 5.940
Thiene ResidencialR$ 1,07 milhãoR$ 4.280R$ 5.350R$ 6.420
Residencial TremezzoR$ 1,2 milhãoR$ 4.800R$ 6.000R$ 7.200
Vernazza ResidencialR$ 1,28 milhãoR$ 5.120R$ 6.400R$ 7.680

Agora o trabalho fica objetivo: pesquise quanto se paga hoje de aluguel para um imóvel equivalente naquele bairro e compare com a coluna. Se o aluguel praticado está abaixo da coluna de 0,4%, aquele imóvel não é um bom gerador de renda no preço atual, por melhor que seja para morar.

0,5% ao mês sobre R$ 990 mil significa um aluguel de R$ 4.950. A conta é sempre essa: meta vezes valor de compra, e depois a comparação com o mercado real do bairro.

Bruta não é líquida: o que sai do caminho

A conta acima é bruta. O que chega na sua conta bancária é menor, porque no meio existem cinco descontos:

  • Vacância. Todo imóvel fica vazio em algum momento. Um mês vago por ano já consome cerca de 8% da receita anual.
  • Condomínio e IPTU nos meses vagos. Com inquilino, eles são dele; sem inquilino, são seus. Em prédios com lazer grande, isso pesa.
  • Manutenção. Pintura entre locações, reparos, eletrodomésticos quando o imóvel é mobiliado.
  • Administração. Se você usa imobiliária, ela cobra um percentual do aluguel, além da taxa de intermediação na assinatura de cada contrato.
  • Imposto de renda. Aluguel recebido por pessoa física entra na tabela progressiva mensal, com alíquotas que chegam a 27,5%.

Uma regra prática que eu uso para não me enganar: calcule com onze meses de aluguel por ano, não doze. Se a conta continua fazendo sentido, ela é resistente. Se só fecha no cenário perfeito, ela não é um investimento, é uma aposta.

O prazo de entrega também entra na conta

Imóvel na planta não gera aluguel enquanto a obra corre, e ainda consome caixa em parcelas corrigidas. Ou seja, a rentabilidade começa a contar depois da chave.

Entre os empreendimentos da carteira, isso significa horizontes bem diferentes: o Thiene tem entrega prevista para 30 de setembro de 2026 e o Monte Leone para 30 de agosto de 2030. Para quem compra pensando em renda, essa distância é dinheiro parado, e ela precisa ser comparada com o que o mesmo capital renderia em outro lugar no mesmo período.

Thiene Residencial
Imóvel citado Thiene Residencial Rua Monteiro Lobato, Centro · Entrega set/2026 Unidades a partir de R$ 1,07 milhão Ver imóvel

O que aumenta a chance de alugar rápido

Três coisas mandam mais que o resto, e todas dá para verificar antes da compra:

  1. Localização com serviço a pé. Quem aluga costuma priorizar praticidade. O Centro concentra escola, mercado, farmácia e restaurante em poucas quadras, e é onde estão cinco dos sete empreendimentos que eu acompanho.
  2. Planta de amplo apelo. Três dormitórios com uma suíte, como no Thiene e no Tremezzo, atendem mais perfis do que plantas muito específicas.
  3. Vaga garantida. Faz diferença real na velocidade de locação. No Vernazza, o box de garagem já vem incluído no valor do apartamento.

E uma que quase ninguém considera: o condomínio. Um condomínio alto reduz o aluguel que o mercado aceita pagar, porque o inquilino olha o custo total da moradia. Prédio com lazer enorme é ótimo para morar e nem sempre é o melhor para alugar.

Um exemplo fechado, com todos os descontos

Para sair do abstrato, veja como fica a conta de um imóvel de R$ 990 mil, o valor de partida do Parco Savello, supondo um aluguel hipotético de R$ 4.950, que é exatamente 0,5% ao mês:

  • Receita bruta anual: R$ 4.950 × 12 = R$ 59.400.
  • Com um mês de vacância: R$ 4.950 × 11 = R$ 54.450.
  • Menos condomínio e IPTU do mês vago e a manutenção entre locações, itens que variam por prédio e precisam entrar com o número real.
  • Menos administração, se você não for cuidar da locação pessoalmente, cobrada como percentual do aluguel.
  • Menos imposto de renda sobre o aluguel recebido, pela tabela progressiva mensal.

Repare que só a vacância de um mês já derruba a rentabilidade anual de 6% para 5,5% sobre o valor do imóvel, antes de qualquer outro desconto. É por isso que eu insisto em calcular com onze meses: o cenário de doze meses cheios existe, mas não é o normal.

Comparar com o quê

Uma rentabilidade só é boa ou ruim contra alguma alternativa. As três comparações que eu sugiro fazer, com os números do seu próprio caso:

  1. Renda fixa no mesmo prazo. É o piso: se o imóvel entrega menos que isso e ainda dá trabalho, o argumento precisa vir da valorização, que não é garantida.
  2. Outro imóvel na mesma cidade. Compare unidades com plantas de apelo parecido, e não a mais bonita contra a mais barata.
  3. O custo de não fazer nada. Capital parado também tem custo, e às vezes a decisão certa é esperar a unidade certa em vez de comprar a que está disponível.

Rentabilidade não é o único retorno

Existe o ganho de capital, que é a diferença entre o preço de compra e o de venda no futuro. Ele não é garantido, não é previsível e não deve ser tratado como parte da conta de renda. O que dá para avaliar são atributos que costumam sustentar preço: endereço com serviço, vista que não pode ser fechada, densidade baixa, construtora com histórico de entrega e projeto bem distribuído.

Quando alguém me diz que um imóvel “vai valorizar 30%”, eu peço a fonte. Nunca chega. O que chega, quando existe, é o histórico do bairro e a leitura de oferta e demanda, e isso é conversa, não promessa.

Vernazza Residencial
Imóvel citado Vernazza Residencial Av. Vítor Meireles, Centro · Entrega mai/2027 Unidades a partir de R$ 1,28 milhão Ver imóvel

Um roteiro de dez minutos antes de comprar para alugar

  1. Escreva o valor real da unidade, com o que está incluso.
  2. Levante três anúncios de aluguel de imóveis equivalentes no mesmo bairro, com metragem parecida.
  3. Divida o aluguel médio pelo valor da unidade e veja o percentual bruto mensal.
  4. Desconte um mês de vacância, condomínio e IPTU desse mês, administração e imposto.
  5. Compare com o rendimento que o mesmo capital teria em aplicação, no mesmo prazo.

Se depois desses cinco passos o número continuar fazendo sentido para você, a decisão fica fácil. Se não continuar, você economizou uma década de arrependimento com dez minutos de planilha.

Os valores de imóveis citados são das tabelas das construtoras vigentes em agosto de 2026, em Criciúma, Santa Catarina. As metas de rentabilidade são exercícios aritméticos sobre esses valores e não representam aluguel praticado, projeção de mercado ou recomendação de investimento.

Thiago Bitencourt

Autor

Thiago Bitencourt · Creci/SC 40588-F

Consultor imobiliário em Criciúma. Curadoria de apartamentos e Casas em Condomínio Fechado em Criciúma e região.

Os números deste artigo saem do material das construtoras e da minha própria conversa com elas.

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Perguntas frequentes

O que costumam me perguntar sobre este assunto.

O rendimento bruto é o aluguel dividido pelo valor do imóvel. Para saber se um imóvel específico entrega a rentabilidade que você quer, inverta a conta: multiplique o valor de compra pela meta mensal e compare o resultado com o aluguel praticado na região. Em um imóvel de R$ 990 mil, 0,5% ao mês significa um aluguel de R$ 4.950.

A bruta considera só o aluguel sobre o valor do imóvel. A líquida desconta vacância, condomínio e IPTU dos meses vagos, manutenção, administração e imposto de renda sobre o aluguel recebido. A diferença entre as duas costuma ser grande.

Depende do prazo e do fluxo. Durante a obra não existe aluguel e o saldo é corrigido, então o retorno só começa na chave. Compare esse período parado com o que o mesmo capital renderia em outro lugar e veja se o desconto da planta compensa a espera.

Nem sempre, e essa conta precisa ser feita com números reais antes da compra. Considere ainda que em meses de vacância a parcela continua, e o condomínio e o IPTU passam a ser seus. Investir contando com 100% de ocupação é o erro mais comum de quem começa.

Em geral, não. Unidades de ticket mais alto costumam ter aluguel proporcionalmente menor e público mais restrito, o que aumenta o risco de vacância. Para renda, plantas de amplo apelo em bairro com serviço tendem a funcionar melhor do que metragem grande.

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